segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O discreto charme da burguesia - de Luis Buñuel


Apresentação: 14 de fevereiro de 2009, às 16h. GRATUITO.

Em “O discreto Charme da Burguesia” um grupo de amigos tenta banquetear, mas é sempre impedido por algum imprevisto inusitado, como em um grande sonho. Nessa atmosfera, com humor e ironia, o diretor faz uma crítica aos modos de ser e estar burgueses. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ficha técnica
Título original: Le charme discret de la bourgeoisie
Duração: 102 minutos.
Ano de lançamento: 1972.
País: França, Itália e Espanha.
Direção: Luis Buñuel.
Elenco: Fernando Rey, Paul Frankeur, Delphine Seyrig, Bulle Ogier, Stéphane Audran.
Colorido, legendado.


Serviço

Onde: Casa de Cultura da Penha
Largo do Rosário, 20 – 3º andar – Penha
Telefone: 2296-6172
Contato: cineclubedacasa@gmail.com

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Breve comentário sobre a idéia de “tipo cômico” relacionada à programação do Cineclube da Casa pensada para este ano - por Daniela Landin


Sobre artistas e outros bobos

Há um texto de Fellini em que ele constata, ao lançar olhos ao mundo, que não só a sua aldeia, mas as cidades todas estavam povoadas de clowns. “Quando estive em Paris [...], imaginei uma seqüência, que depois não rodei, em que, andando de táxi, de tanto falar nos clowns, podia vê-los na rua. Velhas ridículas com chapéus absurdos, mulheres com sacolas de plástico na cabeça para se proteger da chuva, [...] homens de negócios com pastas típicas e um bispo, de aspecto embalsamado, sentado num auto junto ao nosso”. E então ele passa, num jogo célere, a se imaginar como um clown e a todos que conhece, entre artistas e outros bobos. “[...] creio que sou um augusto. Mas também um clown branco ou, talvez, o diretor do circo. O médico de loucos que, por sua vez, enlouqueceu. Continuemos a prova. [...] Pasolini é um clown branco do tipo engraçado e sabichão. Antonioni é um augusto desses silenciosos, murchos, tristes. [...] Picasso? Um augusto triunfal, presunçoso, sem complexos, que sabe fazer tudo e no fim é quem vence o clown branco. Visconti, um clown branco de grande autoridade, cujo faustoso traje impressiona. Hitler, um clown branco. Mussolini, um augusto. [...] Freud, um clown branco. Jung, um augusto”. E assim por diante...

A seara por excelência dos tipos cômicos é a da cultura popular. Como nos lembra Luís Otávio Burnier, desde a chamada baixa comédia grega e romana, há figuras cômicas características desse período que originaram mais tarde os bufões e os bobos da Idade Média, as personagens fixas da commedia dell’arte, o palhaço circense e o clown. Todos portadores de uma mesma natureza, a de expor a estupidez do ser humano, relativizando normas e verdades sociais.

Nos séculos XV e XVI, surgiu oficialmente a commedia dell’arte, como síntese de uma tradição cômico-popular existente desde a Antiguidade, ou “comédia de máscaras”, uma forma de teatro do Renascimento italiano que teve origem na arte da mímica, das comédias formais do período romano e dos atores-jograis ambulantes da Idade Média. Entre diversas outras características, a commedia dell’arte possuía personagens fixas cujas máscaras próprias revelavam o caráter pessoal de cada uma. Dois desses tipos fixos eram os zanni, os servos, que, de alguma forma, influenciaram o surgimento da dupla de clowns. O primeiro era astuto e inteligente, fazia intrigas, blefava, enganava os patrões. Era o Brighella. E o segundo, um criado confuso, inconseqüente e tolo, o Arlecchino. Estamos diante, portanto, dos rudimentos da dupla de clowns branco e augusto.

O clown branco é a encarnação do chefe, do intelectual. O augusto – ou excêntrico – é o bobo, eterno perdedor, ingênuo e emocional que está sempre sujeito ao domínio do branco, mas, geralmente, supera-o para fazer triunfar a pureza sobre a malícia. Um caso exemplar dessa parceria cômica no cinema está no filme do mestre Pier Paolo Pasolini, Uccellacci e Uccellini, em que Totò e Ninetto Davoli, pai e filho, e ambos marginalizados, explorados – e também exploradores – protagonizam algumas das mais belas cenas que problematizam a questão do poder.

É possível recordar das idéias discutidas pelo crítico literário Antonio Candido, em sua Dialética da malandragem, célebre ensaio sobre a personagem central do livro Memórias de um sargento de milícias (de Manuel Antonio de Almeida), em torno da figura do “pícaro”. De acordo com Candido, o termo se refere a um tipo inferior de servo que, passando de amo a amo, move-se, muda de ambiente, acumula experiência. Tal ser, geralmente amável e risonho, é extremamente espontâneo e aderente aos fatos, vivendo um pouco ao sabor da sorte, mas aprendendo com cada vivência. E é justamente esse aprendizado que, nas palavras do crítico, faz o pícaro entender a vida à luz de uma filosofia desencantada.

Fazendo uma última referência a filmes que compõem a programação para este ano do Cineclube da Casa, uma atenção especial faz-se necessária à figura do caipira, que pode ser entendido como um clown. Igualmente tipos marginais e ineficientes dentro de um contexto hegemônico de mercado e produtividade, são também espontâneos e ingênuos na manifestação de uma lógica particular. Tanto o caipira quanto o clown, essencialmente éticos e ligados à expressão popular, tornam-se cômicos no momento em que assumem a fraqueza e o ridículo humanos.

E eles estão por aí, os tipos cômicos. Se tivermos coragem e disposição para o jogo proposto por Fellini, podemos em uma tarde dessas, abrirmos nossas janelas internas, em horário de pico, em que tantos podem ser vistos pelas ruas, e observá-los descendo aos montes pela rampa de estações de Metrô, comendo churrasco grego ou cachorro-quente na barraquinha da calçada, acumulando-se nos pontos de ônibus, esperando, em praças diversas, por alguém ou por ninguém – um Deus qualquer –, perambulando, pedindo dinheiro ou atenção, indo para casa, para o trabalho, para lugar nenhum. E todos ali, tipos cômicos em essência, esbanjando um lirismo patético e absurdo.

Programação para 2009 pensada a partir da idéia de “tipo cômico” (programação pré-definida, ainda aceitamos sugestões)


JANEIRO

Dia 24, às 15h

Filme: Underground – Mentiras de Guerra

Título original: Underground

Direção: Emir Kusturica

Ano: 1995

Idioma: Croata

País: França, Alemanha, Hungria

Elenco: Miki Manojlovic, Lazar Ristovski, Slavko Stimac, Bora Todorovic, etc

Duração: 170 min.

Colorido, legendado.


FEVEREIRO

Dia 14, às 16h30

Filme: O discreto charme da burguesia

Título original: Le charme discret de la bourgeoisie

Direção: Luis Buñuel

Ano: 1972

Idioma: Espanhol

País: França, Itália, Espanha

Elenco: Fernando Rey, Delphine Seyrig, Stéphane Audran, Jean-Pierre Casse, etc

Duração: 102 min.

Colorido, legendado.


MARÇO

Dia 21, às 16h30

Filme: Gaviões e Passarinhos

Título original: Uccellacci e Uccellini

Direção: Pier Paolo Pasolini

Ano: 1966

Idioma: Italiano

País: Itália

Elenco: Totò, Ninetto Davoli, Femi Benussi, Francesco Leonetti, etc

Duração: 88 min.

P&b, legendado.


ABRIL

Dia 18, às 16h30

Filme: Diabo a quatro

Título original: Duck Soup

Direção: Leo McCarey

Ano: 1933

Idioma: Inglês

País: Estados Unidos

Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, etc

Duração: 68 min.

P&b, legendado.


MAIO

Dia 23, às 16h30

Filme: Brazil – O filme

Título original: Brazil

Direção: Terry Gilliam

Ano: 1985

Idioma: Inglês

País: Inglaterra

Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Michael Palin, Bob Hoskins, etc

Duração: 124 min.

Colorido, legendado.


JULHO

Dia 18, às 16h30

Filme: Cidade das Mulheres

Título original: La città delle donne

Direção: Federico Fellini

Ano: 1981

Idioma: Italiano

País: Itália, França

Elenco: Marcello Mastroianni, Anna Prucnal, Bernice Stegers, Donatella Damiani, etc

Duração: 139 min.

Colorido, legendado.


AGOSTO

Dia 22, às 16h30

Filme: Uma mulher é uma mulher

Título original: Une femme est une femme

Direção: Jean-Luc Godard

Ano: 1961

Idioma: Francês

País: França, Itália

Elenco: Anna Karina, Jean-Paul Belmondo, Jean-Claude Brialy, Nicole Paqui, etc

Duração: 85 min.

Colorido, legendado.


SETEMBRO

Dia 19, às 16h30

Filme: A general

Título original: The general

Direção: Buster Keaton

Ano: 1927

Idioma: Inglês (Mudo)

País: Estados Unidos

Elenco: Buster Keaton, Marion Mack, Glen Cavender, Jim Farley, etc

Duração: 75 min.

P&b, legendado.


OUTUBRO

Dia 31, às 16h

Filme: Macunaíma
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Ano: 1969
Idioma: Português do Brasil
País: Brasil
Elenco: Paulo José, Grande Otelo, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Dina Sfat, etc
Duração: 105 min.
Colorido.

NOVEMBRO

Dia 21, às 16h30

Filme: Marvada Carne

Direção: André Klotzel

Ano: 1990

Idioma: Português do Brasil, Caipira

País: Brasil

Elenco: Adilson Barros, Fernanda Torres, Dionísio Azevedo, Regina Casé, etc

Duração: 77 min.

Colorido.


DEZEMBRO

Dia 12, às 16h30

Filme: Playtime – Tempo de Diversão

Título original: Playtime

Direção: Jacques Tati

Ano: 1967

Idioma: Francês

País: França

Elenco: Jacques Tati, Barbara Dennek, Georges Montant, etc

Duração: 120 min.

Colorido, legendado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Underground – Mentiras da Guerra - de Emir Kusturica






Apresentação: 24 de Janeiro de 2009, às 15h. GRATUITO

Underground – Mentiras de guerra é uma delirante e irônica alegoria dos explosivos últimos 50 anos da história da extinta Iugoslávia com situações surreais, humor, política, aventura, tragédia e poesia.

Dirigido pelo cineasta bósnio Emir Kusturica, a produção premiada em Cannes começa na Segunda Guerra Mundial, com a invasão nazista de Belgrado, passa pelo regime comunista do marechal Tito e vai até a interminável guerra civil que opõe servos e croatas. O roteiro segue as aventuras de dois amigos fanfarrões, gângsteres e trapalhões, que roubam e traficam armas para a resistência comunista. Underground exibe a ridícula demência de todas as guerras de forma inigualável.

Ficha técnica
Duração: 170 minutos.
Ano de lançamento: 1995.
País: França, Alemanha, Hungria.
Direção: Emir Kusturica.
Elenco: Miki Manojlovic, Lazar Ristovski, Slavko Stimac, Bora Todorovic, etc.
Longa-metragem, colorido, legendado.

Serviço
Onde: Casa de Cultura da Penha
Largo do Rosário, 20 – 3º andar – Penha
Telefone: 2296-6172
Contato: cineclubedacasa@gmail.com


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cría Cuervos







Apresentação: 13 de Dezembro de 2008, às 16h. GRATUITO


Lançado no ano da morte do general Francisco Franco, o filme apresenta uma Espanha soturna, vivendo ainda sob a égide da ditadura, representada, por exemplo, pela presença renitente dos militares e da Igreja Católica na vida política do país.

A produção traz um olhar para as relações familiares durante o franquismo por meio da história de Ana e suas melancólicas lembranças de infância, quando, aos nove anos, vê seus pais morrerem em um curto período de tempo.

Ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

Ficha técnica
Duração: 107 minutos.
Ano de lançamento: 1975.
País: Espanha.
Direção: Carlos Saura.
Elenco: Geraldine Chaplin, Ana Torrent, Josefina Diaz, Monica Randal, Conchita Perez, , Maite Sanchez, Héctor Alterio.
Longa-metragem, colorido, legendado.

Serviço
Onde: Casa de Cultura da Penha
Largo do Rosário, 20 – 3º andar – Penha
Telefone: 2296-6172
Contato: cineclubedacasa@gmail.com


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Os Amores de uma Loira - de Milos Forman





Apresentação: 08 de Novembro de 2008

Com dezesseis mulheres para cada homem, uma pequena cidade da Tchecoslováquia não oferece grandes probabilidades de encontro amoroso para garotas, como a jovem operária Andula. Até que um destacamento de soldados chega às redondezas. Em um baile onde todos estão presentes, Andula conhece o pianista da banda militar. A relação que se dá entre eles torna-se reveladora de um contexto histórico, ao enunciar questões em torno da dicotomia homem-mulher, do trabalho, da família e da juventude. A delicadeza, dosada a certa amargura, faz com que Os Amores de uma Loira seja lembrado como um clássico tcheco, com o qual Milos Forman foi, pela primeira vez, indicado ao Oscar.

Ficha técnica
Título original: Lasky Jedne Plavovlásky
Duração: 85 minutos
Ano de lançamento: 1965
País: Tchecoslováquia
Direção: Milos Forman
Elenco: Hana Brejchová, Vladimír Pucholt, Vladimír Mensík, Ivan Kheil, Jirí Hrubý
Longa-metragem, p&b, legendado

Serviço
Onde: Casa de Cultura da Penha
Largo do Rosário, 20 – 3º andar – Penha
Telefone: 22966172
cineclubedacasa@gmail.com

GRÁTIS

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Luzes da Ribalta - de Charles Chaplin




















Apresentação: 04 de Outubro de 2008

Calvero (Chaplin) é um comediante envelhecido que salva a jovem bailarina Terry (Bloom) de uma tentativa de suicídio. É o começo de uma história de amizade e devoção. Emocionante drama, em que Charles Chaplin divide o palco em uma breve, porém inesquecível parceria, com seu grande contemporâneo, o também comediante Buster Keaton.

“Cada vez que vejo esse final, acontece algo pouco comum: as lágrimas me vêem aos olhos, automaticamente. Aquilo que cobre Calvero não é um sudário, não é o lençol de uma enfermaria. É a tela de cinema. É como se Chaplin dissesse: ‘Aqui Chaplin acabou’”. (Bernardo Bertolucci)

Ficha técnica
Título original: Limelight
Duração: 140 minutos
Ano de lançamento: 1952
País: EUA
Direção: Charles Chaplin
Elenco: Charles Chaplin, Claire Bloom, Nigel Bruce, Buster Keaton, Sydney Chaplin.
Longa-metragem, p&b, legendado.

Serviço
Onde: Casa de Cultura da Penha
Largo do Rosário, 20 – 3º andar – Penha
Telefone: 22966172
Contato: cineclubedacasa@gmail.com

GRÁTIS